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Museu de Arte Sacra da Bahia

Museu de Arte Sacra da Bahia

15/08/12

Os monges portugueses chegam à Bahia em 1660 e constroem um pequeno hospício em terreno próximo ao mar, doado pelo rei de Portugal, d. Afonso VI (1643 – 1683). O Convento, concluído em 1685, é erguido em área contígua a do hospício. A igreja, por sua vez, é inaugurada dois anos depois, com risco atribuído ao monge beneditino frei Macário de São João, realizado segundo o modelo da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, de Évora, Portugal, datada de 1614. É estreita a relação do conjunto conventual com a cidade de Salvador em franca expansão na segunda metade do século XVII, em função da exportação do açúcar e do comércio de tabaco. A nova edificação, por seu turno, constitui fator de desenvolvimento urbano. Com ela, abrem-se novas ruas, como a Ladeira de Santa Teresa, e melhoram-se as condições de outras, como da atual rua Sodré.

Ao longo de sua história, o Convento abriga diversas funções. No início, é criado um colégio no seu interior, visando a atrair novas vocações. Em 1759, instala-se aí a Academia Brasílica dos Acadêmicos Renascidos, dando continuidade à Academia Brasílica dos Esquecidos, de 1724/1725. Embora de vida curta, a Academia é responsável por importante produção em prosa – na qual se destacam, entre outras, a História Militar do Brasil, de José Mirales, o Catálogo Genealógico, de frei Antonio Santa Maria Jaboatão, e Glórias de Pernambuco, de Loreto de Couto –, representativa da experiência de criação de uma história do Brasil. Em 1837, se instala no Convento o Seminário Arquiepiscopal que, em 1856, sob a administração dos padres lazaristas, passa a funcionar no bairro da Federação. O fato de servir de alojamento para tropas portuguesas no período das lutas pela independência da Bahia é decisivo na extinção da Ordem dos Carmelitas Descalços, em 1840, e no abandono do convento. É somente em 1958 que o reitor da Universidade Federal da Bahia – UFBA, Edgar Santos, transfere para o edifício o Museu de Arte Sacra da UFBA, por meio de convênio entre a universidade e a Arquidiocese de Salvador. A restauração do Convento e da igreja, coordenado por Wladimir Alves de Souza e Geraldo Raposo Câmara, adapta o espaço à exposição do acervo, inicialmente composto por peças litúrgicas e imagens de propriedade da Igreja. O Museu abre suas portas ao público em 10 de agosto de 1959, com uma exposição inaugural de 500 peças de museus brasileiros e portugueses, de igrejas, conventos e irmandades da Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo, além de obras emprestadas por colecionadores.

No conjunto museológico, arquitetura e artes visuais encontram-se articuladas. Na igreja, exibem-se altares e retábulos, os mais antigos datados de 1697. Na abóbada figura aquele que é considerado o primeiro afresco realizado no Brasil: uma flor de lótus da qual sai uma figura feminina. A capela, em estilo barroco, traz em sua abóbada pintura a têmpera atribuída ao pintor franco-chinês Charles Belleville (1657 – 1730), realizada entre 1710 e 1715. Do ponto de vista arquitetônico, têm destaque ainda os painéis de azulejos portugueses da segunda metade do século XVII, localizados no alto da fachada da igreja, nas paredes da entrada, nos confessionários, lavabo, escadaria e parlatório. A ampla e variada imaginária do século XVIII encontra-se representada por diversas peças de barro cozido, algumas com douração, outras de madeira policromada. Crucifixos, calvários, ourivesaria, prataria e mobiliário compõem parte significativa do acervo, cujas imagens e objetos litúrgicos constituem suas peças mais numerosas e importantes.

Na pintura, destacam-se os quatro grandes óleos localizados em nichos nos ângulos do claustro, datados de 1755, de autoria de Souza Braga, representando os Passos da Paixão de Cristo. No acervo estão presentes também obras de dois grandes artistas da chamada "escola baiana de pintura": José Joaquim da Rocha (1737 – 1807) e Teófilo de Jesus (1758 – 1847). Do primeiro, é possível conhecer, entre outros, o óleo Coroação de Nossa Senhora, ca.1790. Do último, dois óleos sobre tela, O Sumo Sacerdote Melquisedeque e Jesus Institui a Eucaristia, ambos de 1793. Completam o conjunto histórico, telas do século XVIII provenientes de Cuzco, Peru, e algumas da Grécia, como Ícone de São Tiago, óleo sobre madeira, início do século XX. Após a criação do Museu, artistas como Carlos Bastos (1925), Richard de Menocal (1919 – 1995) e Oscar Caetano pintam aspectos do Museu e do Convento, obras que são posteriormente incorporadas ao acervo permanente da instituição.

Fonte: Itaú cultural

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